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Termo de cooperação técnica para implementação da Educação Quilombola é assinado

A prefeita Fátima Pacheco recebeu na manhã de sexta-feira (7), em seu gabinete, representantes da Universidade Federal Fluminense – UFF, da Universidade Estadual do Norte-Fluminense Darcy Ribeiro – UENF, da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ e da Associação de Moradores de Machadinha para assinatura de termo de cooperação técnica para implementação da Educação Quilombola no município.
“Essa parceria teve início agora, em 2017, e precisamos estar cada vez mais próximos das universidades e as universidades poderem entender do chão da escola e da comunidade de Machadinha, que é tão rica. Num primeiro momento fizemos a formação inicial dos professores e, agora, vamos formalizar nossas intenções, relativas a um trabalho realizado em Machadinha que é de fato a implementação dessa política quilombola, atendendo a uma determinação legal e um desejo da própria comunidade”, esclareceu a coordenadora de Ensino, Helena Lima da Costa.
Para o diretor da E.M. Felizarda Maria Conceição de Azevedo, Allan Alves, essa parceria tem sido muito boa para a escola, que já contou com a formação dos professores e precisa do apoio para implementar todo esse processo que é novo, já que querem mudar a estrutura do projeto político-pedagógico da escola.
O secretário de Educação, Róbisson Serra, deixou claro que o objetivo da implementação dessa Educação Quilombola é o resgate de tanta injustiça histórica com os negros em Quissamã. “Por mais que a gente tente não haverá correção, porque essas falhas históricas, massacrantes e tristes não tem como serem corrigidas. O que faremos é tentar amenizar tantas injustiças com esse grupo de remanescentes quilombolas, tanto pela questão educacional quanto social”.
“Esse momento é um importante passo de cooperação entre as universidades, prefeitura e comunidade e é, ainda, raro. Porque temos três universidades públicas aqui e, normalmente se consegue parceria com uma de cada vez. Ou seja, isso não é comum e vai trazer muito mais riqueza a esse vínculo com Machadinha. Porque essa era uma escola que estava no território, mas não o vivenciava, não se relacionava com ele. E com as diretrizes quilombolas isso vem mudando. No Brasil inteiro existe um esforço no sentido de implementá-las mas ainda não há êxito nessa direção, porque demanda tempo, investimento. São poucas as escolas quilombolas que tem ações voltadas para a questão étnico-racial e com as diretrizes implementadas, apenas duas ou três, no máximo, quando temos cerca de três mil comunidades quilombolas identificadas. No Estado do Rio de Janeiro, Machadinha é pioneira”, afirmou a professora do Departamento Interdisciplinar da Uff – campus Rio das Ostras, Maria Raimunda Penha Soares.
Segundo Clarete Reis, do Laboratório de Estudo de Educação e Linguagem do Centro de Ciência do Homem CCH da Uenf, a forma e abrangência do que está sendo desenvolvido em Quissamã vai além do que está acontecendo em outros municípios, pois se propõe a algo mais abrangente e profundo, que vai ficar para a comunidade e para a escola. “Não é superficial e está ancorado em uma política e é, de fato, a efetivação de uma política pública. Isso será um ganho importantíssimo para a comunidade e vai abrir espaço para outras conquistas. E há a apropriação da comunidade de sua própria história, porque há um débito em conhecer a sua própria história, a partir da vivência deles. Essa é uma política de ação afirmativa e na perspectiva de reparação das perdas que as comunidades negras vem perdendo ao longo da história. Nessa questão da legislação, Quissamã está fazendo valer uma lei que esperávamos que todos os municípios tivessem a sensibilidade de implantar, mas infelizmente isso não aconteceu por vários motivos. Quissamã está saindo na frente e, ainda melhor, por solicitação da própria comunidade”.
“Por conta das pesquisas vamos entendendo o potencial de construção de conhecimento que as culturas de matrizes africanas tem, e o quanto a gente precisa aprender a dialogar com isso. É importante promover o diálogo entre comunidade e escola, não só para inserir algumas práticas da cultura, mas para entender que aquilo tem um propósito de conhecimento e saber. E isso vai ajudar na formação da identidade”, afirmou a professora do curso de Nutrição da UFRJ, campus Macaé, Rute Ramos da Silva Costa.
Para o presidente da Associação de Moradores de Machadinha, Wagner Nunes, todo esse projeto surgiu a partir da demanda da comunidade, pela necessidade de desenvolver a autoestima dos moradores, pelo reconhecimento de sua história, o que é ser quilombola. “A partir dos projetos que chegaram a Machadinha ficamos sabendo que escola tinha potencial para se tornar quilombola. A escola é o caminho para que as pessoas voltem a sorrir, a reafirmar por que vivem lá e porque não querem sair”.
“A assinatura desse termo, com três universidades públicas importantes, que vai impactar na realidade de Machadinha, e também em nossa cidade, me deixa feliz. E vejo que a comunidade começou a se desenvolver e ter voz própria quando foi formada a associação de moradores, que não aceita mais o direcionamento do que vai ser feito em Machadinha. A base para as mudanças, além de todas as conquistas que já tivemos, não tem espaço melhor do que a escola. Então, o que fazemos aqui hoje é extraordinário, para poder formar nossas crianças para que entendam que não precisam ser utilizadas em alguns momentos para serem fotografadas, mas sim que podem ser autoras de suas histórias”, declarou a prefeita.
O termo foi assinado por Fátima, Clarete, Raimunda, Rute e Wagner, ao fim do encontro. E participaram ainda o subsecretário de Educação, Ailson Berlamindo; a diretora da Divisão de Educação Inclusiva, Cyntia Cristina Brito; a assistente administrativa Amanda Fragoso; o coordenador pedagógico da Educação Inclusiva, Márcio Daniel Valentin; o coordenador de Cultura, Oscar Chagas.

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